Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Contra o Grêmio neste domingo (03) a partir das 17h (de Brasília), o Juventude estreia técnico novo. Depois da demissão de Antonio Carlos Zago, será Julinho Camargo que comandará o time alviverde. E o treinador passou pelo Grêmio por exatos 33 dias em 2011, substituindo Renato Gaúcho, mas não traz boas lembranças da época.
Segundo ele, foi vítima de um turbilhão político enfrentado pelo Grêmio. E de fato tem razão. Na época, o ex-presidente Paulo Odone havia renovado contrato de Portaluppi a contra-gosto. Não tinha boa relação com o atual treinador gremista. Na queda na Libertadores e com derrota no Gauchão, tratou logo de demitir o comandante. Contratou Julinho, que então era auxiliar de Paulo Roberto Falcão no Internacional.
Só que os problemas de Odone iam além de Renato. O ex-presidente - cujo nome está na história gremista pela construção da Arena - também tinha divergências com seu departamento de futebol. Havia trocado membros da pasta depois do insucesso na tentativa de contratar Ronaldinho Gaúcho e preparava o regresso de Paulo Pelaipe - atual diretor de futebol do Vasco - ao comando esportivo. Ao todo, Julinho teve 33% de aproveitamento. Em seis jogos, uma vitória, três empates e duas derrotas. Foi, em seguida, substituído por Celso Roth.
"Eu acho que aquela passagem no Grêmio foi um momento muito conturbado politicamente e internamente no clube. Cheguei neste turbilhão, não sabia que estava assim. Presidente e vice-presidência não estavam fluindo, era um momento político conturbado, saída do Renato, entrada de uma aposta, eu em clubes da Série A não tenho um nome forte, a nível nacional. A aposta talvez não fosse o momento certo para se fazer. Quando se faz uma aposta tem que se dar o respaldo político. Vejo tantos treinadores da minha geração, é muito importante o respaldo político neste momento. Se não tiver o respaldo político você acaba tendo problemas. Foi o que aconteceu, o meu trabalho sempre foi o mesmo, sempre tive a mesma postura nos clubes, inclusive no próprio clube que me demitiu com um mês eu fui multicampeão na base", disse Julinho ao UOL Esporte.
"Não tive problema nem com grupo nem com a direção. Foi uma passagem rápida e a direção teve a intenção de me contratar e rapidamente de seguir em frente e nem quero falar muito dessa época, é passado e não me faz diferença alguma", completou.
Caminho após o Grêmio
Nitidamente sentido com a maneira que a situação foi gerida no Grêmio, Julinho retomou sua carreira em clubes do interior gaúcho. Esteve no Boa Esporte-MG, no Goiás, foi auxiliar de Paulo César Carpegiani e de Paulo Roberto Falcão. E atualmente estava no Veranópolis, levando o time à próxima fase do Gauchão. Mas veio o convite do Juventude que o convenceu.
"Na verdade faz alguns anos que recebo sondagens do Juventude, nunca o momento era adequado, era momento de estar em outro clube, não tinha terminado ciclo, eu gosto muito de iniciar e terminar porque mesmo como nós treinadores não gostamos de ser demitidos, não gostamos de deixar clube na mão. Neste momento, deste convite, foi um momento que no Veranópolis já estávamos numa condição, já tinha alcançado uma pontuação que livrava do rebaixamento, deixei o time praticamente classificado. Então aceitei o convite e o clube foi muito bacana comigo, foi super cordial e entendeu que pela possibilidade de fazer a Série B do Brasileiro, que era o grande atrativo no Juventude, eles entenderam e me desejaram boa sorte", afirmou.
Pelo Veranópolis, Julinho já venceu o Grêmio neste Gauchão. Era o time reserva, mas da partida ele carrega memórias que espera reviver neste domingo.
"Primeiro que não existe Grêmio reserva para mim. Aprendi trabalhando em grandes clubes que sair jogando ou não é irrelevante. Quando estava no Inter, saia jogando com Oscar e D'Alessandro e os reservas eram Ricardo Goulart e Fred. O Damião titular, o reserva o Sóbis. O Grêmio que enfrentamos jogou Alisson, Ramiro, muita gente de qualidade. Temos que ter respeito ao clube e saber que vai enfrentar um grande clube e saber pisar bem no gramado e mostrar a força do Juventude", explicou.
Mas a realidade do Juventude é a briga contra o rebaixamento. E exatamente por isso o duelo trata-se de um confronto direto. O time de Caxias do Sul ganhou apenas dois jogos no ano e tem nove pontos na classificação. É o oitavo. Já o Grêmio soma sete pontos e voltou para zona de rebaixamento graças à vitória do Novo Hamburgo sobre o Brasil de Pelotas.
"Eu acho que todos os clubes que disputam o Gauchão que tem menos de 12 pontos vivem o que vivemos. Tanto classificação quanto rebaixamento. É uma situação muito delicada, temos que estar atentos. Tenho que tentar o mais rápido possível aparar as arestas, uma série de questões da equipe para que ela possa entrar firme no gramado, sabendo o que pode fazer dentro do campo. É verdade que leva algum tempo. Tive só três treinos e enfrentar um time que está dois anos jogando junto é muito complicado", sintetizou.
FICHA TÉCNICA
JUVENTUDE X GRÊMIO
Data e hora: 04/02/2018 (Domingo), às 17h (Brasília)
Local: estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS)
Transmissão na TV: RBS TV e PPV
Árbitro: Anderson Daronco
Auxiliares: Alduíno Mocelin e Maurício Coelho Silva Penna
JUVENTUDE: Matheus Cavichioli; Vidal (Choco), Fred, Micael e Matheus Santana; Amaral, Bruninho, Sananduva e Felipe Matheus; Jô (Caprini) e Ricardo Jesus.
Técnico: Julinho Camargo
GRÊMIO: Marcelo Grohe; Madson, Pedro Geromel, Kannemann e Cortez; Maicon, Jaílson, Ramiro, Thonny Anderson e Everton; Cícero (Jael).
Técnico: Renato Gaúcho
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Só que os problemas de Odone iam além de Renato. O ex-presidente - cujo nome está na história gremista pela construção da Arena - também tinha divergências com seu departamento de futebol. Havia trocado membros da pasta depois do insucesso na tentativa de contratar Ronaldinho Gaúcho e preparava o regresso de Paulo Pelaipe - atual diretor de futebol do Vasco - ao comando esportivo. Ao todo, Julinho teve 33% de aproveitamento. Em seis jogos, uma vitória, três empates e duas derrotas. Foi, em seguida, substituído por Celso Roth.
"Eu acho que aquela passagem no Grêmio foi um momento muito conturbado politicamente e internamente no clube. Cheguei neste turbilhão, não sabia que estava assim. Presidente e vice-presidência não estavam fluindo, era um momento político conturbado, saída do Renato, entrada de uma aposta, eu em clubes da Série A não tenho um nome forte, a nível nacional. A aposta talvez não fosse o momento certo para se fazer. Quando se faz uma aposta tem que se dar o respaldo político. Vejo tantos treinadores da minha geração, é muito importante o respaldo político neste momento. Se não tiver o respaldo político você acaba tendo problemas. Foi o que aconteceu, o meu trabalho sempre foi o mesmo, sempre tive a mesma postura nos clubes, inclusive no próprio clube que me demitiu com um mês eu fui multicampeão na base", disse Julinho ao UOL Esporte.
"Não tive problema nem com grupo nem com a direção. Foi uma passagem rápida e a direção teve a intenção de me contratar e rapidamente de seguir em frente e nem quero falar muito dessa época, é passado e não me faz diferença alguma", completou.
Caminho após o Grêmio
Nitidamente sentido com a maneira que a situação foi gerida no Grêmio, Julinho retomou sua carreira em clubes do interior gaúcho. Esteve no Boa Esporte-MG, no Goiás, foi auxiliar de Paulo César Carpegiani e de Paulo Roberto Falcão. E atualmente estava no Veranópolis, levando o time à próxima fase do Gauchão. Mas veio o convite do Juventude que o convenceu.
"Na verdade faz alguns anos que recebo sondagens do Juventude, nunca o momento era adequado, era momento de estar em outro clube, não tinha terminado ciclo, eu gosto muito de iniciar e terminar porque mesmo como nós treinadores não gostamos de ser demitidos, não gostamos de deixar clube na mão. Neste momento, deste convite, foi um momento que no Veranópolis já estávamos numa condição, já tinha alcançado uma pontuação que livrava do rebaixamento, deixei o time praticamente classificado. Então aceitei o convite e o clube foi muito bacana comigo, foi super cordial e entendeu que pela possibilidade de fazer a Série B do Brasileiro, que era o grande atrativo no Juventude, eles entenderam e me desejaram boa sorte", afirmou.
Pelo Veranópolis, Julinho já venceu o Grêmio neste Gauchão. Era o time reserva, mas da partida ele carrega memórias que espera reviver neste domingo.
"Primeiro que não existe Grêmio reserva para mim. Aprendi trabalhando em grandes clubes que sair jogando ou não é irrelevante. Quando estava no Inter, saia jogando com Oscar e D'Alessandro e os reservas eram Ricardo Goulart e Fred. O Damião titular, o reserva o Sóbis. O Grêmio que enfrentamos jogou Alisson, Ramiro, muita gente de qualidade. Temos que ter respeito ao clube e saber que vai enfrentar um grande clube e saber pisar bem no gramado e mostrar a força do Juventude", explicou.
Mas a realidade do Juventude é a briga contra o rebaixamento. E exatamente por isso o duelo trata-se de um confronto direto. O time de Caxias do Sul ganhou apenas dois jogos no ano e tem nove pontos na classificação. É o oitavo. Já o Grêmio soma sete pontos e voltou para zona de rebaixamento graças à vitória do Novo Hamburgo sobre o Brasil de Pelotas.
"Eu acho que todos os clubes que disputam o Gauchão que tem menos de 12 pontos vivem o que vivemos. Tanto classificação quanto rebaixamento. É uma situação muito delicada, temos que estar atentos. Tenho que tentar o mais rápido possível aparar as arestas, uma série de questões da equipe para que ela possa entrar firme no gramado, sabendo o que pode fazer dentro do campo. É verdade que leva algum tempo. Tive só três treinos e enfrentar um time que está dois anos jogando junto é muito complicado", sintetizou.
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