Foto: Ilustração de Gabriel Renner/ Arte ZH
Não será neste domingo que Porto Alegre verá um pouco do clima de Copa do Mundo em meio ao Gre-Nal. Nenhuma das boas ideias vivenciadas no Mundial, como o Caminho do Gol, serão colocadas em prática no primeiro confronto entre os dois times no novo Beira-Rio.
Enquanto seguimos convivendo com bretes que levam à reduzida torcida adversária ao estádio, veja propostas para um clássico mais civilizado e humano na capital gaúcha.
ESPAÇO MISTO PARA TORCIDA
O plano de criar uma área em que houvesse convivência, sem separação física, entre as duas torcidas ficou para o próximo Gre-Nal, na Arena, em novembro. Dirigentes dos dois clubes e autoridades alegaram falta de tempo hábil para tirar do papel a proposta do Ministério Público (MP). Entre os entraves para organizar o espaço de cerca de 200 torcedores já neste domingo, problemas de logística e indefinição do local em que ficaria o “espaço família” no Beira-Rio, com garantia de segurança àqueles que optassem pela modalidade.
Além disso, o primeiro clássico após a remodelação da casa colorada é considerado de risco maior do que outros jogos. Ainda assim, não é certo que exista o setor no próximo confronto – mesmo que na Arena a operação seja menos complicada.
SEM RACISMO E HOMOFOBIA
O comportamento das torcidas dentro do estádio também têm de mudar. Gritos racistas e homofóbicos são inaceitáveis. À frente da Promotoria do Torcedor, o promotor José Francisco Seabra Mendes Júnior acredita que apenas punições não são suficientes. É preciso que os clubes se envolvam na conscientização dos torcedores desde pequenos:
– Quando eliminamos dos estádios os cânticos que denigrem a imagem do adversário, estamos estimulando uma rivalidade sadia, que não precisa descambar para a ofensa. É uma mudança de cultura para o torcedor, que não precisa rebaixar o adversário. Mantendo respeito, está se elevando a própria vitória.
CAMINHO DO GOL
Seria utópico, hoje, imaginar o Caminho do Gol – criado para que as torcidas se dirigissem ao Beira-Rio desde o Largo Glênio Peres nos jogos da Copa – recebendo gremistas e colorados juntos em dia de Gre-Nal. Entretanto, criar um trajeto para a que a torcida do time mandante chegasse ao estádio em clima de confraternização não é difícil – e pode ser um ponto de partida para criar a cultura que permitiria, no futuro, tentar mesclar torcedores.
A prefeitura afirma que irá estudar a possibilidade de aplicar a ideia, pelo menos no Beira-Rio, em 2015. Para a Arena, o empecilho são as obras inacabadas (e intermináveis) de duplicação da Rua Voluntários da Pátria, com entulhos que podem ser usados em caso de confronto.
TORCIDA ADVERSÁRIA MAIOR
Ter pouco mais de mil torcedores adversários em clássicos é sinal de que diferentes instâncias falharam. Os clubes já se dispuseram a destinar cerca de 6 mil à torcida rival, mas a Brigada Militar alega que 1,3 mil é o limite para garantir segurança a todos durante o deslocamento.
Com isso, os torcedores chegam aos estádios em bretes, isolados dos apoiadores do rival. Integrante do Grupo de Pesquisa Violência e Cidadania da UFRGS, o sociólogo Alex Niche Teixeira entende que, para alcançar um convívio pacífico, é preciso praticar. E que mais setores da sociedade devem ser ouvidos na discussão:
– Se isolamos as pessoas umas das outras estamos reforçando a mensagem de que a convivência é impossível.
O coronel Godói explica que os principais entraves para o aumento no número de torcedores são o entorno viário da Arena e as mudanças nas cercanias do Beira-Rio. No lado colorado, é preciso entender como se dará o comportamento da torcida. Na Arena, é necessário criar um espaço que possa receber um número maior de ônibus de torcedores.
– Para aumentar o número de torcedores, temos de consolidar as operações nos dois estádios e também observar uma mudança de comportamento – resume o oficial.
BANDA DA BRIGADA
Nem só grandes mudanças de atitude podem ajudar a humanizar o Gre-Nal. Pequenas ações também agradam a torcedores e criam um ambiente menos favorável a confrontos e violência. A presença da banda da Brigada Militar no Mundial foi destaque não só em Porto Alegre, mas no mundo.
Comandante de Policiamento da Capital, o coronel João Diniz Prates Godói afirma que a corporação pretende realizar apresentações antes de partidas na cidade. Neste domingo, entretanto, não haverá música no trajeto para o estádio por ser o primeiro clássico no novo Gigante.
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Não será neste domingo que Porto Alegre verá um pouco do clima de Copa do Mundo em meio ao Gre-Nal. Nenhuma das boas ideias vivenciadas no Mundial, como o Caminho do Gol, serão colocadas em prática no primeiro confronto entre os dois times no novo Beira-Rio.
Enquanto seguimos convivendo com bretes que levam à reduzida torcida adversária ao estádio, veja propostas para um clássico mais civilizado e humano na capital gaúcha.
ESPAÇO MISTO PARA TORCIDA
O plano de criar uma área em que houvesse convivência, sem separação física, entre as duas torcidas ficou para o próximo Gre-Nal, na Arena, em novembro. Dirigentes dos dois clubes e autoridades alegaram falta de tempo hábil para tirar do papel a proposta do Ministério Público (MP). Entre os entraves para organizar o espaço de cerca de 200 torcedores já neste domingo, problemas de logística e indefinição do local em que ficaria o “espaço família” no Beira-Rio, com garantia de segurança àqueles que optassem pela modalidade.
Além disso, o primeiro clássico após a remodelação da casa colorada é considerado de risco maior do que outros jogos. Ainda assim, não é certo que exista o setor no próximo confronto – mesmo que na Arena a operação seja menos complicada.
SEM RACISMO E HOMOFOBIA
O comportamento das torcidas dentro do estádio também têm de mudar. Gritos racistas e homofóbicos são inaceitáveis. À frente da Promotoria do Torcedor, o promotor José Francisco Seabra Mendes Júnior acredita que apenas punições não são suficientes. É preciso que os clubes se envolvam na conscientização dos torcedores desde pequenos:
– Quando eliminamos dos estádios os cânticos que denigrem a imagem do adversário, estamos estimulando uma rivalidade sadia, que não precisa descambar para a ofensa. É uma mudança de cultura para o torcedor, que não precisa rebaixar o adversário. Mantendo respeito, está se elevando a própria vitória.
CAMINHO DO GOL
Seria utópico, hoje, imaginar o Caminho do Gol – criado para que as torcidas se dirigissem ao Beira-Rio desde o Largo Glênio Peres nos jogos da Copa – recebendo gremistas e colorados juntos em dia de Gre-Nal. Entretanto, criar um trajeto para a que a torcida do time mandante chegasse ao estádio em clima de confraternização não é difícil – e pode ser um ponto de partida para criar a cultura que permitiria, no futuro, tentar mesclar torcedores.
A prefeitura afirma que irá estudar a possibilidade de aplicar a ideia, pelo menos no Beira-Rio, em 2015. Para a Arena, o empecilho são as obras inacabadas (e intermináveis) de duplicação da Rua Voluntários da Pátria, com entulhos que podem ser usados em caso de confronto.
TORCIDA ADVERSÁRIA MAIOR
Ter pouco mais de mil torcedores adversários em clássicos é sinal de que diferentes instâncias falharam. Os clubes já se dispuseram a destinar cerca de 6 mil à torcida rival, mas a Brigada Militar alega que 1,3 mil é o limite para garantir segurança a todos durante o deslocamento.
Com isso, os torcedores chegam aos estádios em bretes, isolados dos apoiadores do rival. Integrante do Grupo de Pesquisa Violência e Cidadania da UFRGS, o sociólogo Alex Niche Teixeira entende que, para alcançar um convívio pacífico, é preciso praticar. E que mais setores da sociedade devem ser ouvidos na discussão:
– Se isolamos as pessoas umas das outras estamos reforçando a mensagem de que a convivência é impossível.
O coronel Godói explica que os principais entraves para o aumento no número de torcedores são o entorno viário da Arena e as mudanças nas cercanias do Beira-Rio. No lado colorado, é preciso entender como se dará o comportamento da torcida. Na Arena, é necessário criar um espaço que possa receber um número maior de ônibus de torcedores.
– Para aumentar o número de torcedores, temos de consolidar as operações nos dois estádios e também observar uma mudança de comportamento – resume o oficial.
BANDA DA BRIGADA
Nem só grandes mudanças de atitude podem ajudar a humanizar o Gre-Nal. Pequenas ações também agradam a torcedores e criam um ambiente menos favorável a confrontos e violência. A presença da banda da Brigada Militar no Mundial foi destaque não só em Porto Alegre, mas no mundo.
Comandante de Policiamento da Capital, o coronel João Diniz Prates Godói afirma que a corporação pretende realizar apresentações antes de partidas na cidade. Neste domingo, entretanto, não haverá música no trajeto para o estádio por ser o primeiro clássico no novo Gigante.
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