Antes, o que era tomado pelo azul, preto e branco se tornou uma pintura marrom. O som que ecoava pelas ruas tinha ritmo, voz e era acompanhado por instrumentos musicais. Hoje, o barulho é de máquinas pesadas, caminhões de lixo e água saindo de mangueiras. O aroma do churrasco assando deu lugar a um cheiro fétido. O bairro Humaitá, zona norte de Porto Alegre, é a casa da Arena do Grêmio, adotado pela torcida gremista. De acordo com último Censo divulgado, em 2022, é também o lar de mais de 35 mil pessoas. Ou era. Quem já morava na região dos bairros Humaitá, Farrapos e Anchieta, viu na chegada da Arena uma oportunidade de visibilidade e negócio. Desde 2013, inúmeros bares ocupam o entorno do estádio. A maioria, gerenciado por pessoas que dividem o local de trabalho com moradia. Os jogos do Grêmio são a principal fonte de renda de quem reside ali. Em 3 de maio de 2024, as fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul transformaram o bairro em um grande lago. A marca de onde a água chegou, de mais de dois metros, ainda está lá. O ge visitou o Humaitá e conheceu a história de quatro pessoas, empreendedores que tiram da paixão gremista o sustento da família e, agora, precisam recomeçar.
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