Marco Aurélio Cunha atendeu o LANCE! em seu novo escritório na CBF (Foto: Igor Siqueira)
- Larguei minha vida por isso. Minha casa, meu mandato de vereador e grande parte do meu consultório. Não vim brincar.
É com esse discurso de entrega total que Marco Aurélio Cunha começa uma trajetória nova no futebol. Ele recebeu do amigo Gilmar Rinaldi, referendado pelo presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, a missão de comandar o futebol feminino. A missão não é olhar apenas para a Seleção, que tem desafios importantes nos próximos dois anos (Mundial, Pan-Americano e Olimpíada), mas também para resolver questões latentes como a formação de jogadoras e calendário, para ver se, enfim, o Brasil consegue criar um campeonato nacional sólido, que não dure dois meses, como é o atual.
Nesta entrevista ao LANCE!, ele deixa claro que não enxerga o futebol feminino com algo secundário e promete batalhar pela promoção da modalidade.
LANCE!: Como é que você pretende atuar nessa nova função, comandando o futebol feminino? Como você veio parar na CBF?
MAC: Sempre viemos conversando. Sou amigo do Gilmar. Ele veio para cá e foi encontrando as dificuldades nos departamentos. O futebol feminino vinha junto no pacote. Se você quiser alguma coisa bem feita, e a Fifa pede assim, não dá para o feminino ser um apêndice do futebol masculino. Se tratarmos ele como apêndice, nunca vai ser próximo das grandes equipes do mundo. Se olhar bem, o futebol feminino é praticado nos países mais desenvolvidos, economicamente e culturalmente: Alemanha, Suécia, França, Estados Unidos... O preconceito é posto de lado, a organização é maior, a economia é boa, o investimento é grande, as meninas gostam de jogar futebol. Nem sempre o futebol masculino é equivalente. Há a necessidade de um desenvolvimento profissional, duradouro, que seja construído um calendário e viabilidade ao futebol feminino. Não é só uma ação financeira estrutural. É comunicação. Falar na escolas que a menina pode jogar com meninos. No Japão, vi isso. Havia um desenvolvimento da prática do futebol. O jogo era extremamente interessante. Um dia veremos namorado indo torcer pela namorada. Temos que desenvolver o futebol aqui. Temos uma agenda apertada: Copa do Mundo, Pan-Americano e Olimpíada. Isso pode ser o espelho para que as meninas comecem a jogar.
LANCE!: Sentiu a confiança do presidente Marco Polo?
MAC: Se não tivermos o desenvolvimento, a cobrança é a mesma do masculino. Gilmar falou que precisava de mim, que tinha confiança e que o presidente precisava. É um desafio para mim. No sexto ano e meio de mandato, estava mais desestimulado na Câmara. A carreira política foi uma grande universidade. Fiquei seis anos na faculdade de medicina, e me formei. Seis anos e meio como vereador, acho que me formei político. Mas acho que o aprendizado foi suficiente. Deixo o espaço com alguém com vontade, com mais sede, e volto para o meu ambiente, que eu sempre amei. É um desafio diferente. Acho que vou aprender muito com elas. Vou tentar promover isso. Sonhava vir para o Rio de Janeiro, de repente dirigir o Fluminense, cheguei a ser convidado pelo Celso Barros, um dia estar no Flamengo... Nunca pensei que viesse para um lugar tão grande como a CBF. Por isso sou grato pelo convite.
LANCE!: Como avalia o momento atual da Seleção feminina?
MAC: Acho a Seleção forte. Estamos entre as cinco melhores do mundo. Não temos um número muito grande de atletas. Entre os homens, há 73 jogadores na Champions League. Talvez tenhamos no universo do potencial do futebol feminino 40 ou 50. Precisamos ter muito mais. Mas esse número é suficiente para disputarmos de igual para igual com Alemanha, França, China, Japão, Estados Unidos... Não vai ser fácil, mas é campeonato. O emocional ganha e perde. Organização também... arbitragem, lesões... O futebol tem inúmeras variáveis, mas não podemos entrar derrotados. Sempre falei que não pode entrar em campo com 1 a 0 para eles. E isso acontece. Tem falta de pagamento, atrito com treinador... Quando entra sem problema, a chance de ganhar é muito maior. Temos que fazer um trabalho para que comece 0 a 0. E aí podemos ganhar.
LANCE!: Como espectador, por que acha que as meninas nunca tiveram um título de expressão, batendo sempre na trave?
MAC: A inexperiência, a emoção, o começo do esporte ainda não tão bem organizado, o emocional fica aflorado, você não se sente o favorito. Não uso a palavra “tremer”. Mas o que acontece no jogo abala. Você se sente inferiorizado diante de um país forte, com tradição. Mas só a soma de experiências é que traz um resultado positivo. Perdemos as Copas de 1982, 1986.. Só voltamos a ganhar em 1994. A vitória foi sedimentada. O feminino está vindo devagar, mas vai chegar o momento. Espero que seja agora. Costumo dar sorte. Vamos ajudar na parte emocional, organização, com um vestiário favorável.
LANCE!: E o Vadão?
MAC: Ouço muitos elogios. Vamos ver o trabalho. Se pudesse ter uma técnica mulher, era melhor. O próprio Vadão disse isso. Colocar mulher é o melhor possível no esporte feminino. No meu lugar, inclusive. Espero sair deixando uma mulher. Minha expectativa para o Mundial é que vai ser duro. Mas o trabalho está sendo feito. Tem uma bagagem. É uma Seleção que vai competir para ser campeã.
LANCE!: O que acha da Seleção permanente?
MAC: É boa porque ela está o tempo todo com o treinador. O certo é ter um bom campeonato e pegar as meninas. O problema da Seleção permanente é: qual a abertura que ela dá para as outras? Mas nada é 100% bom. É igual remédio. O efeito tem que ser maior que a contraindicação. O efeito colateral tem que ser pequeno. Vamos medir para escolher o melhor modelo.
Como você avalia o papel da Marta?
MAC: A Marta é uma grande atleta e sempre será se continuar jogando com todo talento individual e coletivo. Ela está no auge, é nosso grande nome, como é o Neymar e foi Ronaldo e Romário. E, mais importante: ela é a missionária para essas novas meninas. Ninguém joga sem imaginar alguém. As meninas têm que falar que são a Marta. Ela é o símbolo do desejo de qualquer jogadora de futebol. É fundamental. Quando encerrar a carreira, deve se formar gestora, treinadora, assumir o meu lugar, se possível.
LANCE!: E em relação aos clubes? Tivemos alguns bons projetos, como o do Santos e antes até o São Paulo, mas eles não tiveram longo prazo. Como a CBF pretende se comportar em relação a isso?
MAC: Não dá para jogar sozinho. Se você tem um grande time, você precisa de um adversário bom também. Se o adversário não se forma, vou jogar contra quem? A CBF não pode ser responsabilizada por fazer time se isso é tarefa dos clubes. Ela tem que ser a gestora de ideias para que os clubes acreditem que possa ser um bom campeonato. Tem que ter investimento, publicidade, patrocínio, a televisão tem que apoiar. A mídia cobra muito isso, mas a mídia ajuda? É uma coisa de todos. A CBF é uma organizadora e está fazendo sua parte. Tem Seleção permanente, comissão técnica, viagens, um monte de coisas boas. Mas ela não pode ser responsável por algo que não é dela. O clube tem a missão de formar o time. Acho que com empenho, calendário, participações, podemos organizar campeonato. Mas mais do que isso é incentivar as categorias sub-20, sub-17. Isso é que vai dar o combustível para uma Seleção futura. Não adianta ter uma baita de uma Seleção agora e daqui a dois anos não ter ninguém.
LANCE!: Então o foco principal é a base?
MAC: Criar elementos para a base existir. Chegar nos clubes e ajudar na implantação disso. Pode ser o clube social. Pode haver até uma parceria com um clube grande. Mas alguém tem que formar. No masculino acontece isso. Tem um clube de Alagoas que forma jogador, aí vai para o Espírito Santo, Bahia, Rio... É a migração do talento. Temos que fazer uma linha de acompanhamento das jogadoras. Acredito ainda que há muitas brasileiras jogando nos Estados Unidos. Temos que monitorar essas atletas. É um trabalho grande.
LANCE!: A MP do Profut estipula uma obrigatoriedade de investimento mínimo no futebol feminino...
MAC: A MP está errada. Ninguém é obrigado a fazer isso. Eu gostaria que todos os clubes tivessem futebol feminino. Mas você pode obrigar alguém a ter handebol? Não pode. Equipe de natação? Não. E por que obrigar a ter futebol? É uma ingerência muito grande na vocação do clube. Tem lugares que o tratamento é diferente. Obrigar não aceito. Mas você pode estimular.
Marco Aurélio Cunha assumiu a CBF há cerca de uma semana (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
LANCE!: O que fazer para popularizar e desenvolver a modalidade?
MAC: Primeiro vou ver quem está fazendo. Tem que começar a incentivar e melhorar ainda mais quem já está nesse trabalho. Depois, ver quem são os vizinhos. É tudo uma questão de rivalidade. Se Campinas tem um time bom, Jundiaí pode ter, que é vizinho. Se o Rio tem, Niterói pode também. Então podemos começar a criar estímulos para competição próxima. Até para não ter tanto custo de deslocamento e logística.
LANCE!: Vai tentar investimentos do governo ao futebol feminino?
MAC: Vou tentar sim. Acho que o governo tem como obrigação dar estrutura funcional para todos os esportes. Sei que, especialmente as mulheres do parlamento, querem ver isso progredir. Já ouvi delas que é uma bandeira feminina, mas respondi que é preciso ajudar, criando emendas, destinando verbas. O governo pode criar campos, quadras, colocar a aula na escola. Acho que dá para fazer. Não é transferir tudo para o poder público, mas ele também tem que participar.
LANCE!: Um dia chegaremos ao nível de Alemanha e EUA?
MAC: Acho que sim. É só massificar. Material humano? Temos. População? Temos. Estímulo? Temos. História? Temos. Alguém diria que o vôlei feminino seria a potência que é hoje? Não. Que o handebol seria campeão mundial? Muito menos. Se o futebol está na nossa raiz, no DNA, por que vou duvidar disso? Falta trabalho, boa vontade, apoio da mídia... Uma página do LANCE!, o Sportv falar mais sobre, em vez de ficar o dia inteiro falando do Corinthians... Falem das meninas.
LANCE!: Sua vida política acabou de vez?
MAC: Não tenho medo de dizer que acabou. De vez, não diria. Porque fazemos política todo dia. Candidato a alguma coisa, eleição minoritária, não tenho vontade.
LANCE!: Ficou algum desconforto por renunciar ao mandato?
MAC: Nenhum. Porque fui convidado desde o primeiro mandato a sair para o futebol por valores significativos e propostas interessantes. Renúncia é uma palavra pesada. Fui o primeiro a deixar a Câmara por algo que não fosse política. Sempre respeitei meu mandato. Fiz um mandato inteiro, fui reeleito. No meio do caminho, veio a eleição para deputado estadual. Naquele momento já deixei claro que poderia sair. Eu sou contra várias reeleições. Acho que uma é o limite.
LANCE!: Para a CBF também?
MAC: Também acho que tem que ter uma só, para tudo. Às vezes o cara patina na primeira, melhora na segunda. Se ele for bem na primeira, merece a segunda. Mais do que isso, é exagero. Quando senta na cadeira e ela vai afundando, está na hora de sair.
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Nesta entrevista ao LANCE!, ele deixa claro que não enxerga o futebol feminino com algo secundário e promete batalhar pela promoção da modalidade.
LANCE!: Como é que você pretende atuar nessa nova função, comandando o futebol feminino? Como você veio parar na CBF?
MAC: Sempre viemos conversando. Sou amigo do Gilmar. Ele veio para cá e foi encontrando as dificuldades nos departamentos. O futebol feminino vinha junto no pacote. Se você quiser alguma coisa bem feita, e a Fifa pede assim, não dá para o feminino ser um apêndice do futebol masculino. Se tratarmos ele como apêndice, nunca vai ser próximo das grandes equipes do mundo. Se olhar bem, o futebol feminino é praticado nos países mais desenvolvidos, economicamente e culturalmente: Alemanha, Suécia, França, Estados Unidos... O preconceito é posto de lado, a organização é maior, a economia é boa, o investimento é grande, as meninas gostam de jogar futebol. Nem sempre o futebol masculino é equivalente. Há a necessidade de um desenvolvimento profissional, duradouro, que seja construído um calendário e viabilidade ao futebol feminino. Não é só uma ação financeira estrutural. É comunicação. Falar na escolas que a menina pode jogar com meninos. No Japão, vi isso. Havia um desenvolvimento da prática do futebol. O jogo era extremamente interessante. Um dia veremos namorado indo torcer pela namorada. Temos que desenvolver o futebol aqui. Temos uma agenda apertada: Copa do Mundo, Pan-Americano e Olimpíada. Isso pode ser o espelho para que as meninas comecem a jogar.
LANCE!: Sentiu a confiança do presidente Marco Polo?
MAC: Se não tivermos o desenvolvimento, a cobrança é a mesma do masculino. Gilmar falou que precisava de mim, que tinha confiança e que o presidente precisava. É um desafio para mim. No sexto ano e meio de mandato, estava mais desestimulado na Câmara. A carreira política foi uma grande universidade. Fiquei seis anos na faculdade de medicina, e me formei. Seis anos e meio como vereador, acho que me formei político. Mas acho que o aprendizado foi suficiente. Deixo o espaço com alguém com vontade, com mais sede, e volto para o meu ambiente, que eu sempre amei. É um desafio diferente. Acho que vou aprender muito com elas. Vou tentar promover isso. Sonhava vir para o Rio de Janeiro, de repente dirigir o Fluminense, cheguei a ser convidado pelo Celso Barros, um dia estar no Flamengo... Nunca pensei que viesse para um lugar tão grande como a CBF. Por isso sou grato pelo convite.
LANCE!: Como avalia o momento atual da Seleção feminina?
MAC: Acho a Seleção forte. Estamos entre as cinco melhores do mundo. Não temos um número muito grande de atletas. Entre os homens, há 73 jogadores na Champions League. Talvez tenhamos no universo do potencial do futebol feminino 40 ou 50. Precisamos ter muito mais. Mas esse número é suficiente para disputarmos de igual para igual com Alemanha, França, China, Japão, Estados Unidos... Não vai ser fácil, mas é campeonato. O emocional ganha e perde. Organização também... arbitragem, lesões... O futebol tem inúmeras variáveis, mas não podemos entrar derrotados. Sempre falei que não pode entrar em campo com 1 a 0 para eles. E isso acontece. Tem falta de pagamento, atrito com treinador... Quando entra sem problema, a chance de ganhar é muito maior. Temos que fazer um trabalho para que comece 0 a 0. E aí podemos ganhar.
LANCE!: Como espectador, por que acha que as meninas nunca tiveram um título de expressão, batendo sempre na trave?
MAC: A inexperiência, a emoção, o começo do esporte ainda não tão bem organizado, o emocional fica aflorado, você não se sente o favorito. Não uso a palavra “tremer”. Mas o que acontece no jogo abala. Você se sente inferiorizado diante de um país forte, com tradição. Mas só a soma de experiências é que traz um resultado positivo. Perdemos as Copas de 1982, 1986.. Só voltamos a ganhar em 1994. A vitória foi sedimentada. O feminino está vindo devagar, mas vai chegar o momento. Espero que seja agora. Costumo dar sorte. Vamos ajudar na parte emocional, organização, com um vestiário favorável.
LANCE!: E o Vadão?
MAC: Ouço muitos elogios. Vamos ver o trabalho. Se pudesse ter uma técnica mulher, era melhor. O próprio Vadão disse isso. Colocar mulher é o melhor possível no esporte feminino. No meu lugar, inclusive. Espero sair deixando uma mulher. Minha expectativa para o Mundial é que vai ser duro. Mas o trabalho está sendo feito. Tem uma bagagem. É uma Seleção que vai competir para ser campeã.
LANCE!: O que acha da Seleção permanente?
MAC: É boa porque ela está o tempo todo com o treinador. O certo é ter um bom campeonato e pegar as meninas. O problema da Seleção permanente é: qual a abertura que ela dá para as outras? Mas nada é 100% bom. É igual remédio. O efeito tem que ser maior que a contraindicação. O efeito colateral tem que ser pequeno. Vamos medir para escolher o melhor modelo.
Como você avalia o papel da Marta?
MAC: A Marta é uma grande atleta e sempre será se continuar jogando com todo talento individual e coletivo. Ela está no auge, é nosso grande nome, como é o Neymar e foi Ronaldo e Romário. E, mais importante: ela é a missionária para essas novas meninas. Ninguém joga sem imaginar alguém. As meninas têm que falar que são a Marta. Ela é o símbolo do desejo de qualquer jogadora de futebol. É fundamental. Quando encerrar a carreira, deve se formar gestora, treinadora, assumir o meu lugar, se possível.
LANCE!: E em relação aos clubes? Tivemos alguns bons projetos, como o do Santos e antes até o São Paulo, mas eles não tiveram longo prazo. Como a CBF pretende se comportar em relação a isso?
MAC: Não dá para jogar sozinho. Se você tem um grande time, você precisa de um adversário bom também. Se o adversário não se forma, vou jogar contra quem? A CBF não pode ser responsabilizada por fazer time se isso é tarefa dos clubes. Ela tem que ser a gestora de ideias para que os clubes acreditem que possa ser um bom campeonato. Tem que ter investimento, publicidade, patrocínio, a televisão tem que apoiar. A mídia cobra muito isso, mas a mídia ajuda? É uma coisa de todos. A CBF é uma organizadora e está fazendo sua parte. Tem Seleção permanente, comissão técnica, viagens, um monte de coisas boas. Mas ela não pode ser responsável por algo que não é dela. O clube tem a missão de formar o time. Acho que com empenho, calendário, participações, podemos organizar campeonato. Mas mais do que isso é incentivar as categorias sub-20, sub-17. Isso é que vai dar o combustível para uma Seleção futura. Não adianta ter uma baita de uma Seleção agora e daqui a dois anos não ter ninguém.
LANCE!: Então o foco principal é a base?
MAC: Criar elementos para a base existir. Chegar nos clubes e ajudar na implantação disso. Pode ser o clube social. Pode haver até uma parceria com um clube grande. Mas alguém tem que formar. No masculino acontece isso. Tem um clube de Alagoas que forma jogador, aí vai para o Espírito Santo, Bahia, Rio... É a migração do talento. Temos que fazer uma linha de acompanhamento das jogadoras. Acredito ainda que há muitas brasileiras jogando nos Estados Unidos. Temos que monitorar essas atletas. É um trabalho grande.
LANCE!: A MP do Profut estipula uma obrigatoriedade de investimento mínimo no futebol feminino...
MAC: A MP está errada. Ninguém é obrigado a fazer isso. Eu gostaria que todos os clubes tivessem futebol feminino. Mas você pode obrigar alguém a ter handebol? Não pode. Equipe de natação? Não. E por que obrigar a ter futebol? É uma ingerência muito grande na vocação do clube. Tem lugares que o tratamento é diferente. Obrigar não aceito. Mas você pode estimular.
Marco Aurélio Cunha assumiu a CBF há cerca de uma semana (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
LANCE!: O que fazer para popularizar e desenvolver a modalidade?
MAC: Primeiro vou ver quem está fazendo. Tem que começar a incentivar e melhorar ainda mais quem já está nesse trabalho. Depois, ver quem são os vizinhos. É tudo uma questão de rivalidade. Se Campinas tem um time bom, Jundiaí pode ter, que é vizinho. Se o Rio tem, Niterói pode também. Então podemos começar a criar estímulos para competição próxima. Até para não ter tanto custo de deslocamento e logística.
LANCE!: Vai tentar investimentos do governo ao futebol feminino?
MAC: Vou tentar sim. Acho que o governo tem como obrigação dar estrutura funcional para todos os esportes. Sei que, especialmente as mulheres do parlamento, querem ver isso progredir. Já ouvi delas que é uma bandeira feminina, mas respondi que é preciso ajudar, criando emendas, destinando verbas. O governo pode criar campos, quadras, colocar a aula na escola. Acho que dá para fazer. Não é transferir tudo para o poder público, mas ele também tem que participar.
LANCE!: Um dia chegaremos ao nível de Alemanha e EUA?
MAC: Acho que sim. É só massificar. Material humano? Temos. População? Temos. Estímulo? Temos. História? Temos. Alguém diria que o vôlei feminino seria a potência que é hoje? Não. Que o handebol seria campeão mundial? Muito menos. Se o futebol está na nossa raiz, no DNA, por que vou duvidar disso? Falta trabalho, boa vontade, apoio da mídia... Uma página do LANCE!, o Sportv falar mais sobre, em vez de ficar o dia inteiro falando do Corinthians... Falem das meninas.
LANCE!: Sua vida política acabou de vez?
MAC: Não tenho medo de dizer que acabou. De vez, não diria. Porque fazemos política todo dia. Candidato a alguma coisa, eleição minoritária, não tenho vontade.
LANCE!: Ficou algum desconforto por renunciar ao mandato?
MAC: Nenhum. Porque fui convidado desde o primeiro mandato a sair para o futebol por valores significativos e propostas interessantes. Renúncia é uma palavra pesada. Fui o primeiro a deixar a Câmara por algo que não fosse política. Sempre respeitei meu mandato. Fiz um mandato inteiro, fui reeleito. No meio do caminho, veio a eleição para deputado estadual. Naquele momento já deixei claro que poderia sair. Eu sou contra várias reeleições. Acho que uma é o limite.
LANCE!: Para a CBF também?
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